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15 September Minha Família e suas HistóriasMinha Família e suas Histórias
Estavam, os dois, sentados num banco da pracinha, cansados depois de muito brincarem no balanço. ¾ Olha só que coisa engraçada! – ele apontou. ¾ O quê? – ela estava procurando. ¾ Ali. – insistiu ele – Os passarinhos estão bicando as frutinhas daquela árvore. ¾ Hum. – ela ficou pensativa. – Agora entendo o que a minha avó contou. ¾ Heim?! ¾ É que, outro dia, minha avó tava contando que o pai dela tinha um quintal enooorrrme em casa, cheio de árvores frutíferas. Então, ela disse que ele colocava uns saquinhos de papel cobrindo os figos porque, senão, os passarinhos comiam tudo e não sobrava nada para a família. ¾ Sei. – ele parecia duvidar. ¾ Também achei aquela história meio estranha mas, agora, vendo isso aí – apontou para a árvore, imitando o gesto do amigo – começo a entender do que minha avó tava falando. ¾ Sua avó sempre fica contanto essas coisas de quando ela era pequena? ¾ Minha avó, minha mãe, a irmã da minha avó, a prima da minha mãe, meu pai...
E começou a contar ao amigo que toda vez que acontecia uma comemoração de família, em especial quando eram almoços, alguém sempre arranjava um jeito de começar a contar uma história que tinha acontecido com alguém, há muito, muito tempo. Qualquer coisa podia servir de motivo: um talher caindo no chão – visita que vai chegar, um tipo de comida que estava na mesa, uma má-criação que uma das crianças fizesse, até mesmo um barulho que viesse da rua. Tudo era motivo para uma história.
¾ Quer dizer então que toda vez que a sua família se encontra, você aprende uma história nova? – ele achou aquilo engraçado. ¾ Uma, não. Muitas....
E continuou contando que, depois que o primeiro contasse a primeira história – ou caso, como gostavam de falar – imediatamente alguém pegava o fio se lembrava de outra coisa que “tem tudo a ver com isso” e saia contando outra coisa, e mais outra, e mais outra...
O resultado: a família, que sentava à mesa na hora do almoço, acabava emendando o lanche da noite embalada pelas histórias que os mais velhos contavam, não com um tom de saudade, mas com um prazer que irradiava dos olhos.
¾ E as histórias todas aconteceram mesmo? – ele ficou curioso – Eram de verdade? ¾ Ah! Isso eu não sei. ¾ E vocês não brincam? Só ficam ouvindo eles contarem essas coisas do passado deles? ¾ Claro que a gente brinca! – ela riu – Às vezes, cada um conta a mesma história de um jeito tão diferente do outro que a gente acha que tão inventando. Então, a brincadeira da gente é tentar adivinhar quem tá falando a verdade. ¾ E? Vocês descobrem? ¾ Claro que não! – ela riu – A gente tá desconfiado que todas são verdadeiras, a diferença tá no jeito de cada um contar o que viu. |
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